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Recursos didáticos auxiliares (Filmes para aulas) |
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Adriano Leal Bruni
O filmes Tempos Modernos é um dos maiores clássicos do cinema. Sob o ponto de vista da gestão dos custos, ele enfatiza as linhas de produção e as conseqüências da elevação dos volumes sobre a redução dos custos. Leia no livro A Administração de Custos, Preços e Lucros, no capítulo 3, a história de Ford ("O fazendeiro pobre que odiava seu cavalo"). As linhas de produção permitiram o barateamento de inúmeros produtos. O mais notável, sem dúvidas, foi o automóvel. Por meio da elevação de gastos fixos com as operações industriais foi possível reduzir substancialmente os gastos variáveis. É possível analisar o filme sob a óptica da Contabilidade Gerencial dos custos, analisando a importância das economias de escala em muitos negócios. Sob o ponto de vista da Contabilidade Financeira, é possível discutir a afirmação de Ford de que o "cliente poderia desejar ter qualquer cor de carro, desde que fosse preto". Para a Contabilidade Financeira, marcada pela necessidade de rateio de gastos indiretos fixos, todos os carros pretos implica em produção homogênea, com muitas unidades de poucos produtos diferentes, o que facilita a divisão de gastos indiretos. Leia a crítica apresentada a seguir, assista ao filme e tente responde às perguntas que eu formulo a seguir.
Analisando "Tempos Modernos".
Disponível em: <http://www.planetaeducacao.com.br/novo/impressao.asp?artigo=95> . Acesso em: 23 jul. 2008.
Há várias seqüências que são geniais desde o princípio do
filme. Entretanto, as que ocorrem dentro das fábricas constituem-se em
trechos antológicos, que se não estão, deveriam ser colocados entre os mais
importantes e significativos da história do cinema mundial, como por
exemplo, o trecho em que Carlitos (o personagem símbolo das criações de
Chaplin) é engolido pelas engrenagens das máquinas da empresa onde trabalha
como operário ou, numa etapa posterior da história, quando um mecânico (com
o qual trabalha Carlitos) fica preso no meio do maquinário. Há uma simbologia específica que permeia tais momentos do filme, como no caso da primeira seqüência descrita, representativa no sentido de apresentar a crítica chapliniana em relação a modernidade, a forma como estamos lidando com o avanço da tecnologia, o modo como estamos sendo integrados as engrenagens dentro de um sistema, como se fossemos também molas que complementam e articulam o movimento das máquinas e de todo processo produtivo. Críticas como essa renderam muitos problemas a Chaplin, que inclusive foi perseguido e obrigado a sair dos Estados Unidos durante um longo período de sua vida (os problemas dele com as autoridades norte-americanas aumentaram ainda mais depois do filme "O Grande Ditador", outra de suas obras-primas). Na parte em que o mecânico fica retido entre rolos,
parafusos e demais mecanismos que movimentam a fábrica, a ironia se dá por
conta das atitudes de Carlitos no momento em que é acionado o apito que
sinaliza a hora do almoço, mesmo diante da situação de dificuldade vivida
por seu imediato superior, o operário vivido por Chaplin deixa de tentar
auxiliá-lo em sua tentativa de sair da enrascada em que se encontra, pega
sua marmita e começa a comer. As reclamações do mecânico-chefe são encaradas
pelo operário como sendo provenientes da fome e da vontade de almoçar do
mesmo! O que poderia ser considerado como mais um dos vários momentos
cômicos do longa-metragem é mais uma crítica social, relacionada a sujeição
do homem contemporâneo a escravidão do relógio, com seus horários todos
pré-estabelecidos, com seu almoço ou seu jantar atrelados a determinados
momentos específicos do dia, mesmo que em alguns dias, não estejamos com
fome; com seu lazer estipulado para os finais de semana ou para as folgas
alternadas das escalas e turnos estabelecidos pelas empresas; com suas
férias tendo que ser vividas no prazo que for dado pelas companhias e assim
vai, com os ponteiros oprimindo a espontaneidade e a criatividade dos
homens. No início do filme, quando um grande relógio nos mostra a hora da entrada dos operários na fábrica, os enquadramentos se deslocam rapidamente para um amontoado de homens apressados, dirigindo-se a seus empregos e, num rápido corte e edição, esses trabalhadores foram substituídos por ovelhas e carneiros, numa alusão ao fato de que estamos trafegando nesse mundo sem uma clara definição de nossos rumos, seguindo as orientações de "pastores" que não conhecemos em grande parte dos casos. Em variados momentos, o filme nos apresenta possibilidades de refletir sobre situações relativas ao trabalho no mundo industrial e as relações entre patrões e empregados. Uma dessas situações apresentadas nos mostra Carlitos desempregado, vagando pelas ruas, próximo a uma esquina, quando um caminhão ao fazer a curva, deixa cair uma bandeira de segurança atrelada a carga (que supomos ser vermelha, tendo em vista a prática adotada em casos como o descrito). Imediatamente ele pega a bandeira e faz sinais para o caminhoneiro tentando avisá-lo da perda de tal objeto e começa a caminhar na direção do veículo, nesse exato instante, uma passeata de trabalhadores em greve vira a esquina e se locomove na mesma direção de Carlitos, que por ter em suas mãos uma bandeira vermelha e estar a frente dos demais, pode ser entendido como líder desse movimento de operários. Entra em cena a polícia que o acaba prendendo como responsável pela agitação.
Como não poderia deixar de ser, Chaplin nos faz rir e nos
faz chorar, alimenta nossas emoções num vai-e-vem constante, como se
estivéssemos numa autêntica montanha-russa (e das melhores), parece estar
numa constante busca pelo nosso lado mais humano, parece estar tentando nos
estimular a viver com maior intensidade essa nossa humanidade. Essencial.
*Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).
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