Videolocadoras em busca do final feliz
Sob ameaça da pirataria e do download de filmes, as empresas tentam se
adaptar aos novos tempos
Por ROBERTA
NAMOUR
Disponível em: <http://www.zaz.com.br/istoedinheiro/edicoes/539/artigo70976-1.htm>.
Acesso em: 27 jul. 2008.

"A 100% Vídeo está se tornando um espaço de entretenimento"
CARLOS AUGUSTO, DIRETOR DE FRANCHISING
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Já dizia o velho ditado que só quem se adapta sobrevive. A fórmula se
aplica, mais do que nunca, ao ramo das videolocadoras. Ameaçadas pelo
crescente cenário da pirataria e pelo avanço do download de filmes, as
tradicionais lojas desenvolvem todo tipo de estratégia para não sumir do
mapa. “De todos os desafios que já enfrentamos, a conjuntura atual é, sem
dúvida, a mais difícil”, garante Frederico Botelho, sócio e diretor da 2001
Vídeo, há 25 anos no mercado. Para Carlos Augusto, diretor de franchising da
100% Vídeo, o modelo tradicional vai deixar de existir e só os que tiverem
uma visão mais ampla de mercado conseguirão se manter. Segundo ele, cerca de
2,6 mil videolocadoras fecharam as portas em 2007 e outras cinco mil deverão
encerrar as atividades neste ano. Com 21 anos no ramo, a rede de Augusto
apostou no conceito store-instore, transformando suas 90 lojas em
verdadeiros templos de consumo e serviço. “A 100% Vídeo está se tornando um
espaço de entretenimento com a expectativa de dobrar o tempo de permanência
do cliente na loja. Enquanto escolhe um filme, ele pode pagar uma conta no
caixa eletrônico, comer no fast-food e comprar produtos que faltam em casa”,
indica

FREDERICO BOTELHO: a 2001 Vídeo aposta
no download legal de filmes para virar o jogo
Destino semelhante teve a Blockbuster, comprada pelas Lojas Americanas por
R$ 186,2 milhões no início do ano passado. As 127 unidades da videolocadora
foram incorporadas à bandeira Americanas Express, que praticamente reduziu o
arsenal de filmes a uma prateleira em meio à vasta oferta de artigos de
consumo e de uso doméstico da rede. Uma outra saída encontrada pelas
videolocadoras para escapar da crise foi investir no download de filmes.
Botelho acredita que as lojas físicas tendem a desaparecer e que o download
legal é que irá manter as videolocadoras. “A 2001 não vai se tornar loja de
conveniência. A única estratégia usada será preparar o site para downloads,
para compra e locação. Já percebemos o interesse por parte dos estúdios,
agora só falta o fornecimento dos produtos.” Até o final do ano, diz
Augusto, da 100% Vídeo, o serviço também estará disponível no portal da
empresa. “A meta inicial é oferecer aluguel de 800 filmes por R$ 5,90. Uma
parceria entre a rede e as distribuidoras Warner e Focus já foi fechada para
o fornecimento dos títulos em versão digital.”
NOVO ROTEIRO
O que as
empresas e os estúdios estão fazendo para conquistar o mercado de locação de
filmes
• Usuários do
iPod e do iPhone poderão assistir a lançamentos de filmes em seus aparelhos
por US$ 3,99, graças a um acordo firmado entre a Apple e os maiores estúdios
de Hollywood
• A Sony
decidiu oferecer para download antigas séries, através do Google Video e do
YouTube, com anúncios no rodapé do vídeo
• Filmes da
20th Century Fox, Sony, Universal e Warner Bros estão disponíveis para
download no portal AOL Vídeo por US$ 9,99 a US$ 19,99
• A BitTorrent
Entertainment Network, antigo inimigo número 1 de Hollywood por
disponibilizar conteúdo ilegal, se tornou fornecedor de download pago, de
filmes e programas de diversos estúdios.
• A Blockbuster
americana lançou um serviço de download pago, mas sua popularidade perde
para a loja virtual Netflix, que tem mais de 7 milhões de usuários.