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Recursos didáticos auxiliares (Casos para aulas) |
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Adriano Leal Bruni
O papel da gestão financeira das empresa se tornou vítima de uma série de severas críticas a partir dos escândalos ocorridos em empresas como a Enron e as conveniências e conivências apresentadas por uma série de outros agentes que deveriam estar preocupados eu auditar, regular e proteger os mercados. Leia as informações apresentadas a seguir e responda às perguntas formuladas.
ENRON, UMA
PARÁBOLA DE COBIÇA, CORRUPÇÃO E TRAPAÇA HAMISH McRAE DO "INDEPENDENT"
Disponível em: http://www.citadini.com.br/auditoria/fsp020122.htm. Acesso em: 30 jul. 2008.
Será que o
colapso da Enron, a maior concordata de todos os tempos, sinaliza algo de
novo e perturbador sobre a saúde do mundo das empresas de porte gigantesco?
Não, na verdade se trata de algo de antigo e perturbador, pois simplesmente
nos lembra dos defeitos já antigos do menos pior entre os sistemas de
organização econômica já desenvolvidos: o capitalismo de mercado. Trata-se
de uma reprise, se bem que em escala muito maior, do nosso escândalo
[britânico" com Robert Maxwell, e os Estados Unidos precisarão aprender as
mesmas lições que mais ou menos aprendemos a esse respeito. O cerne da
história é fácil de contar. Uma empresa de médio porte, administradora de
oleodutos no Texas, teve a inteligente idéia de não simplesmente distribuir
energia, mas negociar com ela também. O mercado de energia estava sendo
rapidamente liberalizado e o sistema por ela desenvolvido fazia com que o
novo mercado liberalizado de energia funcionasse com mais eficiência. As
pessoas pagavam menos pela energia, e a Enron lucrava mais. Trata-se de uma
atividade ainda hoje lucrativa, e a empresa se tornou a sétima maior dos
Estados Unidos com base nesse sucesso. Infeliz e
tolamente, ela então pensou que poderia aplicar essas mesmas técnicas de
mercado a outros segmentos. Expandiu-se de maneira desordenada, às vezes por
meio do estabelecimento de parcerias e associações para explorar esses
mercados. Mas todos os mercados são diferentes, e muitas dessas empresas
perderam dinheiro. Quando elas começaram a encontrar problemas, a matriz não
registrou a situação corretamente na contabilidade. O grupo de
auditoria responsável por fiscalizar a contabilidade, a Arthur Andersen, não
encontrou esses erros, por motivos que ainda não se tornaram muito claros.
Quando as contas tiveram de ser refeitas, havia um buraco negro nos lucros
que deflagrou diversas cláusulas de pagamento nos contratos de empréstimo da
empresa. O negócio todo implodiu. Há diversas
outras características perturbadoras na história. Uma é a destruição de
documentos que aconteceu quando os auditores perceberam claramente que a
empresa estava com problemas. Qualquer que seja a justificativa legal para
isso, a atitude parece terrível. Outra foi o fato de que os bancos de
investimento inflaram as ações do grupo, também depois de ter ficado claro
que a Enron estava com sérios problemas. A questão óbvia é determinar se os
grandes honorários que a auditoria recebia por consultoria e os bancos de
investimento por sua assessoria de negócios obscureceram seu julgamento
quanto ao grupo. Também temos o
triste fato de que muitos dos trabalhadores da empresa tinham parte
considerável de seus fundos de poupança e aposentadoria investidos em ações
do grupo. Enquanto alguns dos principais executivos vendiam suas ações,
preocupados, presumivelmente, com a deterioração no desempenho, os
investidores menores estavam ou bloqueados sem poder abandonar as suas
posições no grupo ou foram encorajados a permanecer. Como resultado, muitos
deles perderam a poupança de toda uma vida. E existe um contexto político mais amplo. Não é só que a Enron tenha apoiado de maneira significativa a campanha presidencial de Bush -ela também doou dinheiro aos democratas- , porém mais o fato de que pessoas próximas a ela estavam envolvidas com o cerne mesmo do mundo dos negócios dos Estados Unidos. O problema não é que as pessoas tenham se comportado mal, mas sim que toda a comunidade financeira tenha tantos relacionamentos cruzados que é difícil sustentar qualquer forma real de independência. Por exemplo, o presidente da Securities and Exchange Commission (SEC, a agência federal norte-americana que regulamenta e fiscaliza os mercados de valores), Harvey Pitt, era sócio em um escritório de advocacia que representava, entre outros clientes, a Arthur Andersen. Ninguém está sugerindo que tenha havido comportamento impróprio de sua parte, mas ele talvez precise se manter afastado das investigações da SEC sobre a Arthur Andersen e a Enron. Assim, o que
deveria acontecer? As pessoas hostis à idéia de economia de mercado vêem o
caso como mais um exemplo das maneiras pelas quais o capitalismo pode ser
corrompido. Elas alegarão que, quando acontece um desastre corporativo, as
pessoas no alto da pirâmide protegem-se umas às outras e as que ficam por
baixo saem machucadas. Os chefões venderam seus milhões de ações em tempo;
os soldados rasos perderam as aposentadorias. A primeira é a necessidade de auditoria independente. Determinar se isso implica também a separação entre serviços de auditoria e consultoria proibindo empresas do ramo de auditoria de realizar trabalhos que envolvam receber honorários de consultoria. Talvez a solução seja adotada como resultado do fiasco da Enron, mas existem razões práticas para permitir que as empresas de auditoria que descobrem problemas em uma companhia ajudem-na a resolvê-los. De alguma maneira é preciso que exista uma clara segregação entre as duas funções. Se isso encorajar empresas do segundo escalão a progredir e desafiar as líderes, melhor. Segundo, os
mercados precisam aprender a desconfiar das recomendações de ações dos
bancos de investimentos. Quando uma dessas empresas elogia as ações de uma
grande companhia, como muitas fizeram com a Enron no terceiro trimestre do
ano passado, o alerta de saúde pública deveria ser ainda mais explícito. Os
bancos de investimento precisam criar uma cultura de independência entre
seus funcionários. Eles tendem a fazer o oposto, pressionando os analistas
que escrevem relatórios críticos (quando um analista londrino do império
Maxwell intitulou seu comentário de "Não Posso Recomendar Uma Compra", foi
demitido porque estava jogando contra). Terceiro, é
preciso que haja novas normas contábeis nos Estados Unidos para transações
mantidas fora dos balanços que derrubaram a Enron. Quarto, os
fundos de aposentadoria dos funcionários precisam ser independentes da
empresa, com uma espécie de limite à proporção de seu dinheiro que pode ser
investido na empresa mesma. Quinto, e essa
é a sugestão mais importante, nós, como sociedades, precisamos voltar a
cultivar a idéia de que a reputação importa. Toda sociedade tem seus ratos,
seus pilantras, seus cupinchas. Por fim, quem quer que acredite que a separação entre negócios e política é mais firme por aqui deveria refletir sobre um triste fato. As ligações entre Robert Maxwell e o governo britânico eram muito mais estreitas do que os laços entre a Enron e o governo Bush. Algum dia daremos o devido valor aos homens de negócios que se mantêm distantes dos políticos. Mas esse dia não chegou.
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